2026-10-12

Como os agentes de IA trabalham na operação

O que acontece entre um alerta chegar e uma pessoa aprovar a ação: entrada, agente, ferramentas, verificação, memória e aprovação humana.

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Um agente de IA não é um chat que responde perguntas. É um programa que recebe uma tarefa, decide o que fazer, usa ferramentas para fazer e verifica o resultado antes de devolver. O diagrama na página inicial resume o ciclo que uso nas automações de operação. Este texto explica cada etapa.

1. Entrada

Tudo começa com um evento: um alerta do Zabbix, um ticket, uma pergunta no chat da equipe. A entrada chega com contexto: qual host, qual severidade, desde quando, o que mais está acontecendo ao mesmo tempo. Sem contexto, o agente adivinha; com contexto, ele investiga.

2. O agente planeja

O modelo de linguagem (o "cérebro") lê a entrada e monta um plano curto: "ver os últimos alertas do mesmo site, checar a sessão BGP com a operadora, consultar o runbook de perda de enlace". Esse plano é texto, e é bom que seja: dá para ler, auditar e corrigir.

3. Ferramentas

O agente não tem acesso mágico a nada. Ele chama ferramentas definidas por nós: a API do Zabbix, o inventário no NetBox, um comando de leitura via SSH, a API de tickets. Cada ferramenta tem limites claros (só leitura, ou só em determinados equipamentos). O protocolo MCP padroniza essa conexão entre modelo e ferramentas.

4. Verificação

Antes de concluir, o resultado passa por um verificador: pode ser um teste automático (a sessão voltou? o ping responde?), uma regra fixa (nunca sugerir reboot em core) ou uma segunda chamada ao modelo com a pergunta "isso faz sentido?". Agentes erram; a verificação é o que torna o erro barato.

5. Memória

O agente registra o que fez e o que aprendeu: o resumo do incidente, as ferramentas usadas, o que não funcionou. Essa memória alimenta a passagem de turno e evita repetir a mesma investigação no dia seguinte. Documentação útil nasce daqui.

6. Aprovação humana

Ações com impacto (alterar configuração, abrir chamado na operadora, comunicar o cliente) passam por uma pessoa. O agente propõe; a equipe aprova. Isso não é limitação, é desenho: o objetivo é devolver tempo à equipe, não tirar o controle dela.

O que isso muda no dia a dia

  • O plantão recebe um resumo pronto em vez de uma tela de alertas.
  • A investigação inicial (logs, histórico, sessão BGP) já vem feita.
  • A passagem de turno fica consistente, porque o registro é padronizado.

E o que não muda: a responsabilidade continua sendo de quem opera. Por isso cada aplicação que ofereço indica o estágio em que está: em uso, protótipo ou estudo.